
Lembro desse dia como se fosse ontem.
Eu estava sentado na cama, olhando pro teto, e pela primeira vez em muito tempo eu não tinha uma resposta, só uma pergunta.
Eu perguntava a Deus, de coração mesmo, se eu deveria continuar.
Naquele momento eu estava esmagado. Triste, sem direção, com a cabeça pesada. Eu tinha acabado de quebrar com uma empresa e a pressão psicológica de “e agora?” parecia grande demais.
E o pior é que não foi falta de tentativa.
Até ali, eu já tinha feito de tudo um pouco pra sobreviver, e não é figura de linguagem:
já vendi rosas na rua;
já fui músico de rua;
já trabalhei como Uber quando tinha acabado de chegar no Brasil;
já vendi água;
já panfletei o dia inteiro oferecendo serviço de design gráfico porta a porta;
e, sim… eu já tinha falido uma startup de aplicativos mobile.
Aquele dia foi cruel.
Porque não era só o dinheiro. Era o peso de se sentir perdido. Era a sensação de que eu estava correndo há anos… e mesmo assim não estava chegando em lugar nenhum.
Eu não sabia o que fazer a seguir.
Até que, no meio daquele caos, eu lembrei de uma coisa simples, talvez a única constante em toda a minha vida até ali:
eu sempre criei jogos.
Mesmo que por hobby. Mesmo sem profissionalismo nenhum. Nunca tinha lançado nada pra valer, só experimentava coisas e tentava dar vida às minhas ideias malucas.
Só por amor mesmo… e talvez pra não enlouquecer.
Mas eu sempre acabava desistindo quando esbarrava na primeira dificuldade maior.
E aí veio a pergunta que mudou tudo:
“E se eu tentasse viver disso?”
Eu me fiz essa pergunta há uns 10 anos.
E o dia em que eu parei de tratar esse sonho como passatempo e comecei a levar a sério… foi o dia em que as coisas começaram a mudar de verdade.
Eu comecei a ter resultados.
Comecei a construir algo real.
E, olhando pra trás, eu posso dizer sem exagero:
foi a melhor decisão da minha vida.
Agora deixa eu te contar por que eu tô puxando essa história hoje.
Porque eu vejo um padrão se repetindo em muita gente do game dev (e talvez isso esteja acontecendo com você agora):
A pessoa está cansada. Exausta. Com a mente barulhenta.
Aí ela conclui:
“Eu preciso de um detox.”
E eu entendo de verdade.
A cabeça fica pesada. A gente perde o foco. Tudo irrita. Nada flui.
Só que… na maioria das vezes, o problema não é exatamente “a internet”.
O problema é outro.
É que a sua mente tá lotada de input… e sem output.
Você consome muito.
E cria pouco.
E isso dá uma sensação horrível de travamento.
Tipo: você tá “fazendo coisa”… mas nada vira jogo.
Você vê tutorial.
Vê vídeo de análise.
Salva referência.
Compra curso.
Testa ferramenta.
Assiste “como o jogo X fez Y”.
Faz print de insight.
E aí, quando fecha o dia, a sensação é:
“ok… mas cadê o que eu fiz?”
E é nesse momento que nasce a vontade de sumir. De se afastar. De “desintoxicar”.
Só que detox, sem um caminho pra transformar o que tá aí dentro, é como fechar o editor sem resolver o bug.
Você ganha silêncio…
…mas não ganha direção.
Sua mente tá igual um projeto de 5 anos

Sabe quando você abre um projeto e ele tá pesado?
Não é um problema específico. É um monte de coisinhas.
plugin demais
sistema demais
script demais
dependência demais
“vou fazer do jeito certo” demais
A build demora.
O play demora.
O debug vira um parto.
A mente sobrecarregada é exatamente isso.
Não é que você seja fraco.
É que você tá rodando “muitas abas” ao mesmo tempo.
E a maior armadilha do nosso nicho é que consumir conteúdo parece trabalho.
Parece progresso.
Dá aquela sensação de “tô me preparando”.
Mas existe uma diferença enorme entre se preparar e se esconder.
E eu falo isso sem julgamento, tá?
Eu já fiz isso.
Eu já vivi fases em que eu consumia tanto que eu virava um “especialista em tudo”…
…menos em terminar.
Só que tem um detalhe: game dev não respeita teoria.
Game dev respeita build.
Respeita play.
Respeita iteração.
O que te cura não é parar. É construir.
Então deixa eu ser bem direto, do jeito que eu queria ter ouvido anos atrás:
Você não precisa de um detox.
Você precisa criar jogos.
Nem que seja um protótipo minúsculo.
Nem que seja uma mecânica feia.
Nem que seja um “jogo” que só você vai jogar por 2 minutos.
Porque criar é o que transforma barulho em clareza.
Criar é o que pega aquela confusão mental e fala:
“Beleza. Agora isso aqui existe.”
Quando você cria, sua mente para de girar.
Porque ela finalmente tem onde despejar.
Ela tem “saída”.
E isso muda tudo.
Detox digital é fechar o editor sem dar Play
Eu vejo muita gente tentando resolver ansiedade de criação com afastamento.
E, de novo: às vezes faz bem ficar um tempo longe.
Mas se isso vira sua estratégia principal, você entra num ciclo:
Consumo → Cansaço → Detox → Volta → Consumo
E aí você passa meses vivendo assim.
Só que a mente não organiza sozinha só porque você silenciou o mundo.
Ela organiza quando você processa.
E como a gente processa no game dev?
Apertando play.
Testando.
Errando.
Ajustando.
A sensação de alívio real não vem do silêncio.
Vem do “tá aqui, eu fiz”.
O ciclo que destrava é simples (e quase ninguém faz)
Eu gosto de falar disso porque muda o jogo pra muita gente.
A maioria vive assim:
Input → Input → Input → Input → Culpa → Detox
O que eu proponho é um loop diferente:
Input → Protótipo → Build → Ajuste → Compartilha → Próximo
Repara que eu não tô demonizando o input.
Você pode ver tutorial, sim.
Você pode aprender, sim.
Mas toda aprendizagem precisa de uma regra:
aprendeu? transforma em algo jogável.
Se você não transforma, vira peso.
Se você transforma, vira competência.
“Mas Wenes, eu não tenho tempo…”
Quase sempre isso significa uma coisa:
“Eu não tenho tempo pra fazer do jeito perfeito.”
E aqui vem uma verdade dolorida, mas libertadora:
Você não vai fazer perfeito.
Nem agora, nem daqui a pouco.
E tá tudo certo.
Porque jogo bom não nasce bom.
Jogo bom vira bom.
E só vira bom se você colocar ele no mundo, nem que seja no mundo de uma build na sua máquina.
A perfeição é o nome bonito que a ansiedade usa pra te impedir de terminar.
E terminar é o que dá paz.
O detox que funciona é o detox de expectativa
Se existe um detox que vale a pena, é esse:
Desintoxicar da ideia de que você só pode criar quando estiver inspirado.
Desintoxicar da ideia de que você só pode começar quando tiver certeza.
Desintoxicar da ideia de que tudo precisa ser “profissional” logo de cara.
Foi exatamente isso que eu fiz naquele ponto baixo da minha vida.
Eu não virei um super dev do dia pra noite.
Eu só decidi uma coisa:
eu vou parar de tratar isso como hobby e vou levar a sério.
E “levar a sério” não significa “fazer perfeito”.
Significa: fazer sempre.
Um ritual que eu recomendo (porque funciona na vida real)
Vou te passar um ritual que eu considero quase injusto de tão simples.
E funciona porque respeita o caos do dia a dia.
Ritual do Jogo Mínimo (30 minutos)
3 vezes por semana, 30 minutos.
Só isso.
E você escolhe uma única regra:
terminar com algo jogável.
“Jogável” pode ser ridículo.
Pode ser:
um personagem que anda e dá dash
um tiro que sai e tem feedback
um inimigo que nasce e persegue
uma wave simples
um item que dá +10% dano
um hit flash no inimigo
uma roleta que gira
uma sala que spawna
Sem UI bonita.
Sem arte.
Sem menu.
Sem narrativa.
Só “vida”.
Porque o seu cérebro precisa ver vida.
Precisa ver movimento.
Precisa ver causa e efeito.
Quando você termina esses 30 minutos com algo vivo, você manda um recado pra sua mente:
“a gente não tá só acumulando. a gente tá construindo.”
E aí você vai virar a chavinha.
Um detalhe importante: cansaço às vezes é energia presa
Tem uma exaustão específica que eu sinto que só game dev entende.
Você passa horas vendo vídeo de game dev.
Sai com a cabeça cheia.
E ao invés de se sentir energizado, você se sente mais pesado.
Por quê?
Porque é estímulo sem saída.
É como baixar asset, organizar pasta, renomear tudo…
…e nunca apertar Play.
Você trabalhou.
Mas não criou.
A energia fica presa.
E energia presa vira ansiedade.
Criação é válvula.
Criação é descarregar a mente em forma de sistema.
“Mas e se eu fizer e ficar ruim?”
Vai.
E essa é a melhor notícia.
Porque o ruim não é o inimigo.
O ruim é o caminho.
O inimigo é não fazer.
O inimigo é ficar só no “um dia eu…”
O inimigo é ficar esperando a hora perfeita, a ideia perfeita, o tutorial perfeito.
Sabe o que acontece com quem espera?
A mente fica cada vez mais barulhenta.
Porque ela tem conteúdo, mas não tem produto.
Tem vontade, mas não tem prova.
E sem prova, a gente começa a duvidar de nós mesmos.
Um desafio rápido pra hoje
Sem drama, tá?
Só um desafio honesto.
Hoje, faz isso:
Abre seu projeto (ou cria um vazio)
Escolhe UMA mecânica minúscula
Faz do jeito mais simples possível
Dá Play
Ajusta uma coisa
Dá Play de novo
Para
Você não precisa terminar um jogo hoje.
Você precisa terminar um sinal de vida.
Porque é isso que organiza.
Oportunidade
Se você leu até aqui e sentiu que o seu “cansaço” não é falta de talento, é falta de direção e consistência, então eu quero te fazer um convite bem direto.
Amanhã eu vou abrir as vagas da Mentoria Indie UP.

É o meu acompanhamento pra quem quer parar de só consumir e finalmente tirar o jogo do papel com orientação, feedback e estratégia.
Não só na parte técnica, mas principalmente em marketing, presença online, e até caminhos com publisher/investidor quando fizer sentido.
São 6 meses com encontros em grupo, grupo exclusivo de networking no WhatsApp e ainda + alguns bônus especiais que revelarei amanhã.
Então faz assim:
Se você quer entrar, clica nesse link aqui e se cadastre para participar da live que farei amanhã a partir das 20h onde explicarei em detalhes como entrar na mentoria.
Porque, no fim, é isso:
Você precisa de um plano…
e de gente certa do seu lado pra construir.
Se você quiser, responde esse e-mail com uma palavra:
PROTÓTIPO
E me diz qual mecânica minúscula você vai fazer hoje.
Confira os destaques abaixo.
Forte abraço.
— Wenes Soares
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E o cara do vibe conding game dev ataca novamente. Se liga só no que ele criou com nanoBanana + Midjourney + Gemini + a IA acima que acabei de te recomendar, haha.
Aproveite o momento atual para, ao invés de brigar com as IAs ou achar que vão roubar seu trampo, use-as em seu processo produtivo.
Ganhe tempo e não fique pra trás.
