Todo início de ano traz o mesmo ritual.

Pessoas decidem que “agora vai”.

Agora vai começar aquela dieta…

Um projeto novo…

Ou aquela academia (esse sou eu)…

Que 2026 é o ano em que finalmente vão entrar no mercado de games.

E quase todas começam… do jeito errado.

Não por falta de talento.
Não por falta de vontade.
Mas por seguir conselhos ultrapassados, romantizados ou simplesmente desconectados da realidade atual da indústria.

Este texto não é sobre o que fazer.

É sobre o que parar de fazer imediatamente, se você realmente quer entrar para o mercado de games em 2026.

1. NÃO comece querendo fazer o jogo dos seus sonhos

Esse é, disparado, o erro mais comum.

A pessoa decide entrar no mercado e pensa:

“Vou fazer um GTA o jogo que sempre sonhei.”

O problema é que o jogo dos seus sonhos geralmente exige:

  • mais tempo do que você tem

  • mais conhecimento do que você possui

  • mais dinheiro do que você imagina

  • mais gente do que você consegue reunir

Resultado?

O projeto cresce, fica pesado, fica lento… e morre.

O mercado não recompensa ambição sem entrega.

Ele recompensa:

  • escopo controlado

  • jogos terminados

  • projetos jogáveis

  • clareza de proposta

O jogo dos seus sonhos não é porta de entrada. É, no máximo, um objetivo distante.

2. NÃO passe anos “se preparando” antes de mostrar algo

Aprender é importante.

Mas aprender eternamente é só uma forma sofisticada de procrastinação.

Se você está há:

  • 1 ano estudando e não publicou nada

  • 2 anos fazendo cursos e sem projeto público

  • 3 anos “se sentindo quase pronto”

….você não está se preparando.

Você está adiando o confronto com a realidade.

Portfólio vence certificado ou diploma.

3. NÃO faça um portfólio genérico

Outro erro clássico:

O portfólio que parece uma cópia de todos os outros.

Os mesmos projetos:

  • plataforma genérico

  • shooter sem identidade

  • RPG incompleto

  • cenas técnicas sem contexto

O problema não é o gênero.

É a falta de propósito.

Quem avalia portfólio não quer ver tudo o que você sabe.

Quer entender em que você é bom.

Portfólio bom é:

  • pequeno

  • focado

  • explicativo

  • honesto

Três projetos pequenos, claros e finalizados valem mais do que um projeto gigante e inacabado.

4. NÃO tente aprender tudo ao mesmo tempo

Programação.
Arte.
Shader.
UI.
Áudio.
IA.
Multiplayer.
Marketing.

Esse é o caminho mais rápido para não ficar bom em nada.

O mercado de games em 2026 não espera que você saiba tudo.

Ele espera que você resolva algum problema específico.

Especialização mínima não é se limitar.

É se tornar útil.

Você pode até ser generalista.

Mas mesmo o generalista precisa ter um eixo central de competência.

Quem tenta abraçar tudo vira invisível.

5. NÃO ignore o lado comercial da indústria

Esse erro separa quem entra no mercado de quem fica no discurso.

Games são arte?

Sim.

Mas também são:

  • produto

  • negócio

  • mercado

  • risco…

Ignorar isso não te torna mais especial. Só te torna despreparado.

Em 2026, entender:

  • público

  • plataforma

  • posicionamento

  • viabilidade

não é diferencial. É requisito mínimo.

Você não precisa virar especialista em marketing.

Mas precisa parar de fingir que isso “não é com você”.

6. NÃO espere validação antes de agir

Muita gente trava esperando:

  • aprovação de amigos

  • elogio de desconhecidos

  • feedback perfeito

  • confirmação de que “vale a pena”

Esse momento não existe.

O mercado não valida intenção. Valida execução.

Você entra no mercado quando:

  • publica

  • mostra

  • arrisca

  • se expõe

Esperar segurança total é escolher ficar parado.

7. NÃO confunda networking com bajulação

Networking não é pedir vaga.
Não é mandar DM genérica.
Não é implorar oportunidade.

Networking real é:

  • participar

  • colaborar

  • contribuir

  • entregar algo junto

Confiabilidade vem de entrega, não de discurso.

8. NÃO trate game jam como brincadeira sem propósito

Game jam não é só diversão. É uma ferramenta.

Mas muita gente usa errado:

  • começa e não termina

  • não documenta

  • não reaproveita

  • não aprende nada com o processo

Se você quer entrar no mercado, game jam precisa virar:

  • projeto com potencial em ser finalizado

  • estudo de caso

  • peça de portfólio

Brincar é ótimo.

Mas brincar sem direção não constrói carreira.

9. NÃO espere pela “vaga perfeita”

Essa vaga:

  • bem paga

  • remoto

  • com mentoria

  • com tempo para aprender

  • sem pressão

… raramente existe para quem está entrando.

Em 2026, muita gente entrará no mercado por caminhos laterais:

  • freelas

  • contratos pequenos

  • collabs

  • serviços

  • projetos temporários

Esperar a vaga ideal é uma forma elegante de não começar.

10. NÃO subestime a importância de comunicação

Não adianta ser bom e não saber explicar o que faz.

Saber comunicar:

  • decisões

  • processos

  • limitações

  • aprendizados

é parte do trabalho.

Quem se destaca não é só quem executa bem.
É quem consegue mostrar valor com clareza.

11. NÃO confunda paixão com profissionalismo

Gostar de games não te diferencia. Todo mundo gosta.

O que diferencia é:

  • disciplina

  • constância

  • responsabilidade

  • compromisso com entrega

Paixão sem método vira frustração.

O mercado não contrata amor.

Contrata resultado.

12. NÃO ache que o mercado “te deve” uma chance

Essa é uma verdade dura, mas libertadora.

O mercado não te deve nada. Ele responde a valor.

Quando você entende isso, para de reclamar e começa a agir de forma estratégica.

Entrar no mercado não é sobre ser escolhido.

É sobre se tornar relevante o suficiente para não ser ignorado.

Conclusão

Entrar no mercado de games em 2026 é possível.

Mas não do jeito que muita gente imagina.

Não é sobre:

  • fazer o jogo perfeito

  • aprender tudo

  • esperar o momento certo

É sobre:

  • escopo

  • entrega

  • clareza

  • posicionamento

Quem entra no mercado não é o mais talentoso. É o mais consistente.

E, quase sempre, o mais honesto consigo mesmo.

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